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Israel | Jerusalém. O que me marca desta viagem, levo para a vida que quero construir

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Quantas vezes não se organizaram viagens à Terra Santa com os grupos católicos dos quais fiz parte. Quantas vezes vi chegarem as pessoas deste lugar para mim tão longínquo e desconhecido, com um sorriso na cara, com uma lembrança que lhes dizia muito e que distribuíam com tanto prazer e sentido, ou com histórias tão emocionantes para contar.

Sempre me pareceu tão distante, sempre vi as oportunidades passarem ao meu lado e eu já sabia que não podia ir, porque tenho sempre trabalho. Quando é que vou conseguir ter uma semana aberta para poder viajar em turismo? Há mais de 12 anos que não a tenho, já a tirei do meu espectro. Nunca me entristeceu esta coisa de não poder fazer o mesmo que os outros, sei que tenho uma vida diferente e que apesar de muitas vezes não ter férias e dormir pouco, tem outras imensas riquezas, e em prol de umas, perdem-se outras: a vida tem sempre um equilíbrio. Não é uma maravilha, viver rodeado de música e Arte, de experimentar diferentes culturas e descobrir mundos novos interiores, que não me daria tempo se tivesse sempre a viajar em turismo? Há que saber valorizar o que se tem, por isso Jerusalém não estava nos meus planos próximos.

Mas é aí que a vida sempre nos surpreende, tem estas surpresas e de repente, nem me preparei para isto, mas tenho concerto em Israel e por isso tenho de ir a Jerusalém!

Telavive é a uma hora de Jerusalém e eu não vou perder esta chance! Sim, é uma loucura ir cantar a Israel em dois dias e ainda arranjar tempo para ir a Jerusalém, com concerto em Sabyon, Telavive, pelo meio. Só tenho duas horas em Jerusalém, mas antes isso do que nada!! Prefiro não dormir! Há dois dias que não durmo numa cama, a minha última noite passei-a metade no avião, metade numa carrinha e a penúltima noite também. Amanhã quando chegar a Portugal, que bem que me vai saber estender o corpo na cama e sentir o conforto de ter as pernas esticadas e o lençol a lamber-me a cara, das tais coisas que quase nunca valorizamos porque já as temos. Às vezes é bom sair do conforto para agradecer a Deus as coisas boas.

Jerusalém não me vai ser indiferente, sei disso. Como vou fazer para não me emocionar?
Que chatice! Ainda por cima vou ter um guia que não conheço e tenho vergonha e medo de me emocionar. As pessoas ainda pensam que sou maluca, porque choro em frente delas, sem as conhecer de lado nenhum. Mas… sou assim. Também, não tenho de ter vergonha de ser aquilo que sou. É uma experiência muito forte para mim.

A terra à volta da muralha de Jerusalém é bastante árida, mas por incrível que pareça, com os 35 graus que se sentem transpirar na pele, existem milhares de pontos verdes a desenhar a areia branca, e esta mesma cor de areia veste as muralhas da chamada Terra Santa. Nove portas na muralha dão entrada neste lugar. Ao contrário do que se pensa, não é um lugar sagrado só de cristãos – é a a terra sagrada: de cristãos, muçulmanos, arménios, Judeus e ortodoxos. Existem quatro bairros distintos dentro das muralhas para que cada um possa ir ao encontro do centro da sua religião. Todos respeitam os seus espaços, todos se cruzam, peregrinos de todo o mundo, com crenças tão diferentes.

Uma curiosidade que dá que pensar: Há a coluna do fogo, para os ortodoxos, o templo, para os muçulmanos, o muro das lamentações para os Judeus, mas para mim, é o Monte das Oliveiras que mais me atrai! É por aqui que quero começar. Quero subir ao Monte onde Jesus falava com os discípulos, onde as pessoas todas o vinham ouvir. Quero estar no lugar onde próximo das oliveiras Jesus foi traído e preso entre os seus amigos e onde se muniu de uma coragem inabalável para enfrentar o longo e duro caminho que lhe esperava, de cabeça erguida, na aparente solidão da sua Fé avassaladora que o viria a salvar e que lhe dava a certeza que tomara a decisão certa, em prol do maior acto de amor visto na terra desde todos os tempos.

Jesus existiu, ele era um homem, filho de Maria e de José. Maria, cujo túmulo se vê, do alto do monte das oliveiras e que até para os mais descrentes, ninguém pode negar que ali está, que ali passou, que ali viveu e que ali deixou uma mensagem de amor ao mundo. É de cortar a respiração! Gostava de ter mais tempo para meditar em cada lugar, não imaginei isto assim, tudo a correr, mas nem sempre a vida acontece como nós a imaginamos e há que agarrar os momentos e saboreá-los como são, porque tudo tem um sentido minucioso maior.

Bem! Só me restam duas horas! E eu preciso de percorrer a via dolorosa, o caminho que Jesus fez com a coroa de espinhos enterrada na cabeça, espancado e chicoteado e ainda como se não bastasse com a Cruz às costas, onde será depois crucificado e sepultado. Será possível que o ser humano possa ter tanta maldade, ao ponto de ser capaz de fazer todas estas atrocidades? Será possível que exista tanta maldade assim no mundo? Infelizmente, os 36 anos de vida que tenho foram-me mostrando que o mundo tem um lado negro, tão negro que por vezes consegue apagar qualquer arco-íris que se desenhe sobre o sonho. Esta é uma realidade que temos de aceitar. Mas eu quero seguir os passos daquele que no meio do negro se levanta sozinho com uma luz que cega todos. Quero seguir este homem que acredita que o céu se pode encher de arco-íris suficientes para apagar todo o negro do mundo, desde que exista “Amor”. Eu quero ouvir, saber, percorrer, descobrir, toda esta história de amor imenso, porque é isso que também quero trazer para quem está a minha volta: Amor. Não me alongo mais sobre as minhas duas horas eternas que tive a sorte de viver em Jerusalém. O que me marca desta viagem, levo para a vida que quero construir. E levo a inspiração que recebo para continuar a andar na vida, a dar os passos que acredito serem os passos mais certos. Que Deus me dê essa força que também Jesus teve para enfrentar com tanta grandeza todos os seus desafios..

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