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Convite da revista Sábado para a rubrica “Mirar um Miró”

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Fui desafiada pela revista Sábado para a rubrica “Mirar um Miró”, a qual partilho aqui convosco. Foi uma experiência muito gira e escolhi o La Fornarina (d’après Raphaël) como o meu quadro de eleição!

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“Nascida há 35 anos em Lisboa, Cuca Roseta é uma referência no panorama do novo fado. Depois de um trabalho de estreia homónimo, em 2011, já lançou mais dois álbuns – Raiz (2013) e Riû (2015) – e hoje circula, sem parar, pelo País e pelo estrangeiro: só em 2015, deu mais de 120 concertos. Mas, além da música, a pintura é outra das suas paixões: além de pintar nos tempos livres, também adora ver exposições. Portanto, conseguiu arranjar tempo – num sábado atarefado, entre uma festa particular no Porto e um concerto em Oliveira de Azeméis – para visitar a exposição Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, em Serralves, impressionando-se em particular com La Fornarina (d’après Raphaël) [La Fornarina (segundo Rafael)], um óleo sobre tela de 1929, que “é uma forma suave e harmoniosa de se ver o quadro da suposta amante de Rafael”.

“Sempre gostei muito de Joan Miró. Lembro-me que foi das primeiras obras que vi ao vivo, em Barcelona”, recorda, referindo-se à Fundação Miró, que adorou: “Marcou-me muito, na minha adolescência. Tinha uns 19 anos e fiquei apaixonada pelo artista. Os quadros dele transmitem muita emoção e imaginação criativa. Temos a sensação de que tudo é possível.” Mais: “Gosto da sensação de sonho que estas obras me transmitem”, diz.

La Fornarina (d'après Raphaël)

De resto, na sua opinião, estas emoções surgem quer do traço, quer da cor: “Os traços são normalmente agressivos ou masculinos, mas a cor dá-lhe o ar feminino para chegar a um equilíbrio perfeito.”

Cuca Roseta discorda da comparação simplista entre a figuração em Miró e os desenhos das crianças em idade pré-escolar. “Aparentemente faz lembrar algo mais minimalista, mais simples, mas acredito que ninguém conseguiria pintar ou imaginar esse simples, que é apenas aparência – e isso também mostra a genialidade do artista”, comenta.

Já quanto à escolha da Casa de Serralves para apresentar esta colecção, a aprovação da fadista é total: “Serralves é um dos lugares mais bonitos do País, com uma história de exposições magníficas.” É o lugar certo, portanto, até pelo projecto expositivo desenhado por Siza Vieira, “que valoriza este conjunto de trabalhos, pois a exposição está muito apelativa e bem pensada”.

La Fornarina (d'après Raphaël)

Porém, entre os três pintores espanhóis do século XX mais consagrados – Joan Miró, Pablo Picasso e Salvador Dalí -, a preferência de Cuca Roseta recai sobre o mestre do surrealismo. “Adoro Dalí!”, confessa: “É o meu preferido, porque me inspira uma sensação de liberdade total. As suas obras emocionam-me e criam-me curiosidade. Uma originalidade e fantasia que também sentimos em Miró. Picasso é sublime, mas dos três destaco Dalí, talvez por ser mais feminino.”

De resto, a criadora do tema Amor Ladrão não concorda completamente com a sumária classificação de Miró como surrealista, muito menos com qualquer afinidade entre o trabalho dele e o de artistas surrealistas portugueses, como Mário Cesariny: “Não acho comparável, porque transmitem algo totalmente diferente com o seu talento. Claro que consigo arrumar Miró na corrente surrealista, no sentido em que o seu trabalho vai contra a lógica naturalista e se baseia nesta utopia e neste sonho que tanto me cativam – a liberdade de sentir e de expressar -, mas também é evidente que ele teve muitas outras influências, do futurismo ao dadaísmo.”

Os quadros dele transmitem muita emoção e imaginação criativa. Temos a sensação de que tudo é possível.

La Fornarina (d’après Raphaël)

De entre o conjunto de obras de Miró em exposição, Cuca escolheu como favorita La Fornarina (d’après Raphaël), uma tela de 1,46 m de altura, datado de 1929, que integra uma série de quatro Retratos Imaginários e se inspira no quadro homónimo que Rafael, referência do renascimento italiano, pintou em 1520, em honra da sua amada de então, que era filha de um padeiro (o que justifica o título).”

Vejam o artigo completo AQUI!

Reportagem fotográfica completa AQUI!

Muito obrigada à Sábado por este desafio tão interessante!

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